sexta-feira, abril 11, 2008

Jogo de Cena

Dia desses vi Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho, queria ter escrito logo, para não perder o fio da meada. Mas, não deu. Então, vamos ver o que sai. Gostei bastante do filme, porque acho que ele levanta muitas questões. Não li absolutamente nada sobre o filme. Talvez as minhas questões já tenham sido respondidas, mas vamos lá.

A primeira delas é se o filme funciona porque foi feito pelo Coutinho e faz bastante sentido na evolução da carreira dele ou se o filme funcionaria se fosse dirigido por outro diretor. A simplicidade do cenário e ao mesmo tempo a força simbólica do palco de teatro são muito fortes no filme. Mas, o que eu acho mais essencial é esse embaralhamento do real e do ficcional. Apesar de que, a partir do momento que se coloca tudo num palco, tudo passa a ter um tom de drama.

A segunda reflexão seria sobre o conteúdo das entrevistas. A escolha certamente foi intencional e nos leva na direção de pequenos ou grandes dramas da vida de mulheres comuns. Me parece que todas ou quase todas elas passaram por situações bastante difíceis ou pertubadoras. Isso, de certa forma, diminui bastante o caráter de cotidianeidade (será que existe essa palavra?) dos depoimentos e os coloca num patamar mais cênico. Mas, confesso, que na seqüência do filme, esses dramas passam a me incomodar um pouco. Fico pensando se não teria alguma história mais comum e menos "sofrida", mas também interessante. Dentro disso, sempre penso e essa é das questões mais velhas que existem, o que leva as pessoas a querer contar aquelas histórias. Será que seus dramas diminuem com a exposição pública? Também penso no que leva um diretor em querer contá-las. Eu sei que tudo isso é meio ingênuo, mas vá lá.

Eu considero um dos pontos altos do filme a reflexão que as atrizes fazem de seus processos. A Fernanda Torres tem dificuldade na representação. Ela diz que em um personagem de ficção pode-se chegar em um limite mais baixo, mais razoável na interpretação e isso funcionar. Mas, que quando se tem um personagem real, tridimensional, a coisa complica, porque o ator está sempre se confrontando com aquela experiência, de fato vivida, e também imagino eu, na forma de contar a tal experiência. É legal também o pensamento da Marília Pêra sobre o choro na ficção e no real. E, é legal também como isso se inverte na narrativa.

Outra coisa que me chamou atenção foi que muitos dos conflitos sejam interiores ou exteriores, se resolvem nos sonhos dos persongens. Não entendo de teoria da psicologia, mas isso é bastante evidente no filme.

Enfim, isso é apenas um começo de conversa. Acho que Jogo de Cena é um filme para ser visto. Agora. Enquanto ainda está no cinema.

3 comentários:

ricardo romanoff disse...

oi, acho que não tinha visto teu blog ainda!

em algum texto, alguém brincou que é como se o Coutinho e o João Moreira Salles estivessem competindo em ousadia nos documentários: primeiro foi o Santiago, depois o Coutinho lança o Jogo de Cena. brincadeira, claro. mas são dois filmes que marcam as trajetórias deles.

o depoimento da Andréia Beltrão também é ótimo. e o legal é que o Coutinho não cria uma comparação direta: fala "real" x fala reconstituída.

interessante essa questão da fala que é pra ser de uma pessoa "ordinária", mas com relatos nada corriqueiros. acho que tem mais a ver com a motivação das entrevistadas do que com o interesse do diretor. tem aquela história que ele conta, sobre o Edifício Master, que um jornal do Rio criou uma votação para escolher a melhor história, a melhor personagem. ele odiou que se fizesse essa disputa por melhores e piores.

tem um filme dele que é O Fim e o Princípio. chegou a ver? é de 2000 e poucos, foi gravado no interior da Paraíba. segundo ele, sem roteiro e sem pré-entrevistas. eu gostei bastante, daí são depoimentos mais "cotidianos" mesmo.

me alonguei, isso que dá estar escrevendo uma monografia sobre documentários :P

bj.

camila gonzatto disse...

oi, Ricardo!

Que legal tu passar por aqui. Não sou superassídua no blog, mas tento manter ele sempre que posso.

Sabe que isso das histórias me pareceu opção do Coutinho, porque acho que tiveram pré-entrevistas e ele deve ter selecionado as histórias. Mas, claro que elas sempre vão partir da motivação das pessoas que estão contando. Em algum momento houve um ponto de encontro entre o que as pessoas queriam dizer e o que o diretor queria também dizer. e, nesse filme, às vezes e na repetição, essas escolhas me incomodam um pouco.

Eu não vi O Fim e o Princípio. Vou tentar ver uma hora dessas.

beijos.

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